brandao.txt Vol. 21
Bruno Brandão
Na realidade, eu estou sem tempo. Por isso venho a demorar a escrever estes textos e atualizar este periódico quanto o dia é de minha responsabilidade.
Pensei numa boa desculpa a dar para vocês, poucos e fiéis leitores, procurando elaborar uma boa justificativa ou história mirabolante que viesse a justificar a minha ausência e desprendimento com as responsabilidades literárias amadoras, mas não achei nada muito convincente.
Mas, de verdade, de verdade mesmo, é que eu ando sem muita inspiração, nem é por conta do tempo. Esqueçam o que eu escrevi acima. Inspiração e repertório recente é o meu problema na hora de lotar um Microsoft Word com palavras. Tenho demorado tempo demais ao ler meus livros e tempo de menos na hora de ver meus filminhos. Um homem não nasce com sacadas geniais e frases muito bem estruturadas que rendem risos despretensiosos em seus leitores.
Mas, pensando bem, eu até tenho descoberto novas bandas, lido razoavelmente bem e conversado com pessoas interessantes por aí. Então, esqueçam definitivamente o que eu disse no último parágrafo, inspiração também não é o problema. Tenho minha intensa vida de 26 anos para buscar algo bom e relevante para botar aqui.
No fundo, acho que é o modelo de como a coisa é feita: dias fixos e uma agenda sem alterações. Pronto. É isso. Não sei bem como lidar com cobranças e prazos para que algo bom saia de minhas mãos. Não posso ser genial quanto as pessoas bem entendem. Se eu fosse um pássaro livre a voar, talvez já tivesse me transformado no Machado de Assis do novo milênio. Teria, porque esse também não é o que me limita na hora de bolar textos.
Tenho lidado bem com prazos em meu trabalho e sei organizar tarefas e deadlines em meus projetos publicitários e musicais. O problema são os convites. Tenho os dois outros blogs em que escrevo simultaneamente, consumindo todo o vocabulário que possuo. Não existem teclas o suficiente para cumprir o envio de três textos por semana. Vocês têm que entender que eu não faço só isso da minha vida. Tenho outros compromissos e preciso realizar as necessidades básicas de um jovem comum. E, além disso, continuo a escrever somente no Muito Horrorshow, transformando esse parágrafo numa grande baboseira.
A verdade, sério mesmo, é que, depois que minha avó entrou para a seleção de nado sincronizado máster, eu tive que levá-la todas as quartas-feiras aos treinos, na piscina do Clube Pinheiros. Sem falar das viagens aos torneios, porque a velhinha não dirige.
As amigas me importunam e tenho que ouvir, uma a uma, suas histórias de viagens para Serra Negra e os modelos de crochê que elas fazem para si mesmas. Quando alguma sofre uma contusão, sou eu quem levo ao hospital. A razão, não sei, mas acho que sou o único neto bem aventurado dentro de São Paulo. Isso me consome, além de ter que assistir e filmar, todas as apresentações. No mais, os textos que produzo, são todos para os discursos de consolo quando a equipe leva um 9 ou 9,5 dos juízes, minha criatividade morre aí. E, você deve saber, não é nada fácil consolar uma idosa nadadora.
Você pode até não acreditar. Mas, sério, é verdade. É por isso que o blog vem perdendo a sua freqüência religiosa de posts.
Sério, é verdade.
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